December 2011
31 posts
November 2011
48 posts
novembro 2011 - Um dos grupos de teatro mais importantes do Brasil, a cia. Lume de Campinas, resolveu aportar em SP este mês. Sorte minha! Nunca tinha visto ao vivo mas já tinha ouvido falar e a curiosidade acabou ontem. Em cartaz Café com Queijo.
O clima é dos mais aconchegantes e riponga (afe). Vc se senta entre almofadas e algumas cadeiras no meio do palco lado a lado com os atores. O palco é na verdade cercado por paredes de colchas de retalho (tô falando que é riponga…) e um clima de comunhão entre atores e platéia logo se instaura.
A peça parte das pesquisas que a Cia. faz para cada um de seus espetáculos, neste em especial estamos diante de 4 histórias de personagens bem brasileiros e com um detalhe especial. Eles tem 100 anos de idade.
Cada um dos centenários (ou seriam crianças?!) tem sua história contada pelos excelentes atores Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Hirson e Renato Ferracini, cujos trejeitos e expressões, tons de voz e intonações criam uma espécie de universo mágico debaixo daquela tenda de retalhos. Tudo é dito e cantado com muita sensibilidade e generosidade. Histórias que emocionam e falam do medo da morte, da solidão da velhice, das conquistas da vida, mas sobretudo da alegria de viver. Sem ser piegas. Mas com um toque da Vila Madalena. Mas vale muito! Virgilio.
P.S: Café com queijo, segundo o Lume, é mistura típica do Tocantins e era servido aos atores durante a pesquisa para este espetáculo.
novembro 2011 - Tudo é engraçadinho na nova peça de Marcelo Médici. O Título tragicômico que poderia ter saído de uma musica brega do Waldick Soriano, passando pelo off de boas vindas do teatro até a peça em si. Eu era tudo para ela e ela me deixou (texto Emilio Boechat, dir. Mira Haar) é, repito, engraçadinha e só.
Claro que tem sempre aqueles que explodem no teatro e gargalham por tudo e de tudo, como se não houvesse alegrias na vida que não aquelas vividas na sala escura….mas, fora esses sem-noção, a peça está longe empolgar e para mim, dois são os principais problemas: a falta de cacos (que mesmo ensaiados, divertem e dão ao público o gosto sádico de ver o ator “errando” em cena) e a dificuldade de entrosamento entre Médice e de seu único companheiro em cena, Ricardo Rathsan. Este, anos luz distante do talento de Marcelo Médici.
Pode ser que na sessão que vi, eles não estavam tão aquecidos e inspirados, mas que foi fraco, isso foi. Virgilio.
novembro 2010 - Uma das melhores exposições do mês, está no tímido espaço do Instituto Moreira Salles em Higienópolis. Trata-se de um belo recorte de fotos emblemáticas dos últimos 65 anos. Tá todo mundo lá…de Pierre Molinier à Helmult Newton.
As obras escolhidas são do acervo da Maison Européene de la Photographie e vão do trágico ao sublime, mas sempre com uma incrível preocupação estética. A luz, o tom do preto sobre o branco, o enquadramento e o acabamento perfeitos…
Uma beleza ver os cliques de artistas como Richard Avedon, que fez um retrato bem humano da diva Marlyn Monroe em 1957. Outros destaques são o nú famoso de Saint-Laurent por Jeanloup Sieff de 1971, os aleijados de guerra de George Dureau e a beleza mórbida de Andres Serrano, Mapplethorpe com 3 trabalhos, Sebastião Salgado com impressionantes registros prateados nos campos de petróleo do Kwaitt e Miguel Rio Branco com seu homem-cão. Vá antes que termine! Virgilio.
novembro 2011 - Ano que vem tem festa para Nelson Rodrigues. 100 anos de seu nascimento e vai enjoar de tantas peças que vão pipocar….mas se todas - ou pelo menos algumas delas - forem tão boas quanto a montagem de Marco Antonio Braz no histórico Teatro Arena, estou feliz!
Atores afiados e texto bom fazem dessa montagem, programa imperdível. O grande astro do teatro paulista, Renato Borghi, está excelente no papel do sogro do beijoqueiro. Destaque também para Elcio Nogueira. As meninas são mais fraquinhas…mas no caso de Gabriela Fontana, que faz a Selminha, tanto faz. Ela é tão bonita que a gente deixa passar…
Desfilam personagens caricatos, sórdidos e sexualmente perturbados. Tudo a flor da pele, mas com a malícia, a ironia e o traquejo cariocas. De fundo, o poder da imprensa em manipular os leitores e criar realidades através do “poder da caneta” de seus repórteres.
Meu único incomodo foi com um desnecessário cenário que cobria o piso do palco com papel manteiga. Além de tornar a movimentação difícil dos atores, o barulho é irritante.
Por fim, muito bonita e sensível a cena final em que o atropelado beijado, devolve o beijo recebido no novo morto. Não entendeu? Melhor assim. Vá ver! Virgilio.
novembro 2011 - A Anual da FAAP já foi melhor. A começar pela Comissão de seleção, pouco expressiva. Depois, os artistas em sí. Das duas uma, ou selecionaram mais do mesmo, ou o talento não está rondando a FAAP como antigamente. Será a mensalidade? Destaque para as pinturas Priscila Rigon e Andrea Sandtfoss. Fora isso alguns videos engraçadinhos. E só. Virgilio.
novembro 2011 - Pipocam pelos espaços cultuais da cidade pequenas exposições sobre os Irmãos Campana. Mas parece que a expo. do CCBB é a definitiva - até o momento. Estão lá todas as peças que fizeram os designers mundialmente conhecidos. A expo está organizada em pequenos núcleos como os dedicados aos Nós, as Linhas, aos Fragmentos, as Apropriações e aos Acúmulos, por exemplo. Gostei disso pois identifica-se famílias de objetos e facilita o entendimento das linguagens que compõe o vocabulário dos irmãos. Interessante, sobretudo a maneira como eles juntam num mesmo objeto referencias populares com materiais contrastantes tais como vime e plástico. Ponto negativo fica por conta da montagem descuidada e sem graça, beirando um show-room do Magazine Luiza.
Valeu porém para ver minhas peças favoritas (abaixo as imagens): a fruteira Nazareth, a cadeira Favela, o sofá Boa e a luminária Galão. Virgilio.
P.S: Caso queira anotar algo no espaço expositivo, leve caneta e papel. O bloco de notas do Iphone não é permitido no CCBB..me disseram que eu poderia tirar uma foto com aquela arma. Abaixo a tecnologia! rs.